Ep. 481 — #57 - O uso de gregários em provas amadoras: Ana Borba, Ana Polegatch & Lívia Leozzi
Tem assuntos no ciclismo que geram discussão imediata. Basta alguém mencionar que o pelotão inteiro já tem uma opinião formada. E o tema de hoje é exatamente um deles. Nas provas amadoras, especialmente no ciclismo feminino, é cada vez mais comum vermos ciclistas competindo e indo ao pódio sendo gregariadas por amigos, maridos ou parceiros de treino que ajudam a ditar ritmo, entregar alimentação , proteger do vento e até influenciar diretamente a dinâmica da prova. Para alguns, isso faz parte da estratégia. Para outros, é uma vantagem injusta. E existe ainda quem diga que não concorda, mas acaba fazendo porque “todo mundo faz”. A discussão ganhou ainda mais força recentemente durante o Giro d’Italia Ride Like a Pro, uma prova cujo regulamento proibia o uso de pacers/gregários, mas onde a prática acabou acontecendo de forma bastante visível, reacendendo um debate que vai muito além de uma única competição. Estamos falando de ética esportiva? De cultura do pelotão? De falta de fiscalização? De busca por performance? Ou de uma consequência natural da forma como o ciclismo amador evoluiu no Brasil? Porque diferente de muitos países, aqui no Brasil os resultados em provas amadoras também podem significar visibilidade, reconhecimento, oportunidades e aproximação com marcas. Para discutir um tema complexo, polêmico e cheio de nuances, falamos com mulheres que conhecem profundamente o ciclismo e que certamente têm visões complementares sobre esse assunto: Gisele Gasparotto, Ana Lidia Borba, Ana Paula Polegatch e Livia Leozzi, grandes referências no ciclismo feminino no Brasil! Já aproveita e se inscreve no nosso canal do stemma no YouTube e siga no Spotify na roda do stemma (Links na Bio!)! Host: @giselegasparotto Edição: @raw_distance & @gui_favotto123 Artes: @pedroc.jr Gravação: @studiostemma Apoio: @terabyteshop & @kingstonbrasil #stemma #stemmasports #narodadostemma #ciclismo
Resumo
O episódio reúne Ana Lídia Borba, Ana Paula Polegatch e Lívia Leozzi para discutir um tema espinhoso do ciclismo amador: o uso de “gregários” (pacers e apoios combinados) em provas mistas, sobretudo quando mulheres competem com apoio de homens. A conversa começa esclarecendo a diferença entre “andar na roda” (vácuo disponível no pelotão, sem pré-combinação) e “ter gregário” (alguém levado para trabalhar estrategicamente para uma atleta). A partir daí, o debate avança para o impacto competitivo e simbólico de transformar uma disputa feminina em “dupla mista” disfarçada. O episódio ganha força ao conectar a prática a efeitos concretos: prova engessada, neutralização de ataques e perda do mérito tático individual. Um ponto central é a comparação entre eventos com e sem proibição explícita. N
Destaques
- Há uma diferença essencial entre “andar na roda” (vácuo do pelotão, sem combinação) e “ter gregário” (apoio premeditado que dita ritmo, carrega itens, busca fugas e faz leitura tática para a atleta).
- Quando homens atuam como gregários em disputa feminina, a corrida tende a virar uma “dupla mista” não declarada, gerando vantagem injusta por diferença de potência, sobretudo no plano e na perseguição de ataques.
- Em provas sem proibição explícita, a discussão recai mais sobre ética e cultura; em provas com proibição no regulamento, a prática vira burla e exige fiscalização, recursos e punição para preservar credibilidade.
- A presença de gregários “engessa” a dinâmica: ataques são neutralizados, estratégias individuais perdem efeito e habilidades como descida, timing e alianças entre competidoras ficam anuladas.
- Redes sociais e visibilidade das provas amadoras ampliam o incentivo a ‘ganhar de qualquer jeito’, deslocando o foco do processo esportivo para a foto no pódio e para oportunidades com marcas.
- Há um componente cultural e machista: a ideia de que a mulher não se garante sozinha reforça insegurança e dependência; por outro lado, pacing entre mulheres ou categorias específicas (sem pódio) preservam segurança sem distorcer competição.
- Soluções sugeridas incluem ondas/categorias separadas (como modelo de “Race Angel” ou “desafio pessoal”), inversão de largada (mulheres na frente) e enforcement nas líderes para reduzir o incentivo ao ‘pacer’.
Tópicos: Regras e ética do uso de gregários/pacers em provas amadoras, Diferença entre vácuo do pelotão e apoio premeditado (gregário), Impacto competitivo de homens como gregários no ciclismo feminino, Fiscalização, punição e credibilidade do regulamento em eventos, Cultura esportiva, redes sociais e incentivos por visibilidade/patrocínios
Citações
- “O gregário, ele é pré-determinado, ele é premeditado, eu posso falar assim, é você levar uma pessoa que vai trabalhar para você.” — Ana Lídia Borba
- “E não é justo competir dupla mista na categoria contra o feminino, né?” — Ana Paula Polegatch
- “Então o que a gente treinou, toda a estratégia que a gente faz de treino, ah, vou fazer isso, vou fazer aquilo, acabou.” — Lívia Leozzi
- “Mas é legal, mas não muda sua segunda.” — Ana Paula Polegatch
- “Injustiça.” — Ana Paula Polegatch