Ep. 476 — #38 - De contra-relogista no ciclismo para o sub2h26 na maratona: Alexandre Tingas | Café com Tri
No episódio de hoje, recebemos Alexandre Tingas, ex-ciclista de elite e hoje um dos maratonistas amadores mais rápidos do Brasil. Ele acaba de cravar o tempo impressionante de 2h25min52seg na Maratona de Hamburgo, garantindo o índice para o Mundial Master em Tóquio! Parceiro do Café com Tri pra esse episódio: @seekdopa hosts: @sergiomagalhaes1 @betonitrini @wagner__41 @erikamagrisse produção: @stemmasports pauta & conteúdo: @cafecomtriathlon edição : @acqua_xtreme gravação: @studiostemma capa: @pedroc.jr #cafecomtri #stemma #triathlon #triatleta
Resumo
O episódio traz Sérgio Magalhães e Beto Nitrini recebendo Alexandre Tingas para contar uma virada rara: de ciclista com foco em contra-relógio e muita quilometragem, para maratonista amador de elite correndo 2:25:52 em Hamburgo aos 40 anos. Tingas descreve como começou no esporte ainda jovem (natação obrigatória em casa, bicicleta desde o aro 20), passou por uma primeira maratona em São Paulo em 2007 e logo migrou para o ciclismo por 14 anos. A conversa enfatiza como a “base de endurance” do ciclismo ajudou, mas também como a corrida exigiu reaprender corpo, cabeça e rotina. Na transição de 2019/2020, a pandemia acelerou a escolha pela corrida pela praticidade e menor logística. Tingas relata que precisou “desconstruir” cerca de 15 kg de massa muscular, aprender a treinar leve (saindo do
Destaques
- A base de endurance do ciclismo pode acelerar a evolução na corrida, mas a adaptação ao impacto (tendões, articulações e tolerância muscular) e à técnica de treino leve é determinante para sustentar performance na maratona.
- Para evoluir na maratona, Tingas atribui grande peso ao volume alto com qualidade e gerenciamento (com picos e polimento), evitando transformar a quilometragem em uma sequência de dias “no limite”.
- O aprendizado de treinar leve foi uma virada: sair da mentalidade de “só porrada” e aceitar paces fáceis como ferramenta de construção, recuperação e prevenção de lesão.
- Recuperação e prevenção não são só descanso parado: variar superfícies (grama/terra), usar esteira em segundos treinos e desenvolver leitura corporal para encurtar sessões quando necessário reduz risco de lesão em ciclos longos.
- Nutrição é altamente individual: ele prioriza comida de verdade, corta açúcar e álcool, e valida carboidrato em treinos longos antes de aplicar na prova; também identifica alimentos que pioram o intestino (farinha e macarrão).
- A estratégia de prova em Hamburgo combinou alto carboidrato por hora (cerca de 88 g/h) com logística simples (garrafinha de mão e géis) e ajuste de sódio conforme clima e tolerância.
- Mentalidade de longo prazo: frustrações (erros em Boston e problemas gastrointestinais em 2023) viram insumo para ajuste de estratégia, reforçando que performance é resultado de consistência e amor ao processo.
Tópicos: Transição do ciclismo (contra-relógio) para a corrida de alta performance, Estratégia de volume semanal, dobras e estrutura de treinos para maratona, Nutrição e carboidratação (testes, g/h, sódio) em treinos e prova, Recuperação, prevenção de lesão e leitura corporal (grama, esteira, sauna e gelo), Mentalidade competitiva, disciplina e gestão de frustração em provas
Citações
- “Cara, você precisa aprender a treinar leve. 4:30 não é leve. 5 por um, 5 e10, 5:20 é leve. Você precisa aprender a treinar leve.” — Alexandre Digas
- “Eu tive que desconstruir 15 kg de massa muscular, né? E o processo foi muito, muito lento e penoso, né?” — Alexandre Digas
- “A gente mais perde e mais erra do que a gente ganha ou acerta, né? E é a mágica tá em você pegar o erro e o o dia ruim e tirar isso como lição, né?” — Alexandre Digas
- “Você tem que correr porque você ama. Você tem que correr por prazer de correr, porque assim, o processo vai ser doloroso.” — Alexandre Digas