Ep. 548 — #53 - A Ciência como aliada para a Perfomance: Dr Gerson Leite | Na Roda do stemma
Existe uma diferença enorme entre treinar e treinar com ciência. No esporte de endurance, não basta esforço. Não basta volume. Não basta querer. Existe fisiologia, existe estratégia, existe método. E hoje eu vou conversar com alguém que vive exatamente nesse ponto de interseção entre a ciência e a prática. Fisiologista do esporte, pós-doutor pela USP, head da Universidade do Endurance e alguém que trabalha diretamente com atletas de elite do ciclismo, triathlon e corrida. Gerson, seja muito bem-vindo! Já aproveita e se inscreve no nosso canal do stemma no YouTube e siga no Spotify na roda do stemma (Links na Bio!)! Host: @giselegasparotto Edição: @raw_distance & @gui_favotto123 Artes: @pedroc.jr Gravação: @studiostemma Apoio: @terabyteshop & @kingstonbrasil #stemma #stemmasports #narodadostemma #ciclismo
Resumo
O episódio traz uma conversa longa e prática entre a host Gisele e o fisiologista do esporte Dr Gerson Leite sobre como a ciência aplicada pode destravar performance no endurance — especialmente no ciclismo. Gerson conta como a bike entrou na vida dele ainda na infância, passou pelos pedais na estrada em São José dos Campos e virou uma fonte de confiança pessoal: a bicicleta ensinou, na prática, que a constância e o esforço mudam o que parece impossível. Essa relação afetiva com o esporte também explica por que ele escolheu construir carreira no esporte individual, onde o resultado tende a refletir mais diretamente o trabalho do atleta. A entrevista mistura história pessoal, bastidores de avaliação fisiológica e um recado claro: treinar melhor não é treinar sempre mais forte. Na parte mai
Destaques
- Treinar forte todos os dias (Z3–Z5) mantém o corpo em estresse crônico, reduz adaptação e impede recuperar bem durante provas; a performance muitas vezes destrava quando o atleta aprende a alternar estímulos e recuperar.
- Evidência em ciclismo ProTour indica que grande parte do volume (aprox. 70% a 90%) acontece em Z1–Z2, enquanto intensidade alta é usada de forma estratégica — o contrário da cultura comum de “todo treino é competição”.
- ‘Z2’ é frequentemente mal interpretado: há muitas metodologias de zonas e o limiar 1 varia bastante entre indivíduos; quem não faz base tende a entrar cedo em intensidades moderadas, errando o que acha que é ‘leve’.
- FTP é uma métrica relevante, mas não é sempre a principal; sua importância muda conforme o tipo de prova (ex.: contrarrelógio vs. gran fondo) e o objetivo do atleta (terminar vs. competir por resultado).
- Métricas devem escalar com o objetivo: saúde e check-up primeiro, depois GPS + cinta cardíaca para segurança e controle, e potência/nutrição/testes quando a ambição competitiva exigir mais precisão.
- Wearables ajudam em tempo de sono e tendências, mas não medem bem qualidade do sono; decisões de treino não devem depender apenas de um ‘vermelho’ no aplicativo sem checar sensação e contexto.
- Alta performance é um mix de fisiologia e mente: tolerância ao desconforto pode decidir disputas equilibradas e pode ser treinada com abordagem psicológica e treinamento mental de endurance.
Tópicos: Treinamento polarizado e erro de treinar sempre forte, Zonas de treinamento (Z1–Z5), limiar 1, FTP e confusão do ‘Z2’, Testes fisiológicos: VO2, lactato, laboratório vs. campo, Métricas e wearables: frequência cardíaca, potência, sono e HRV, Nutrição no endurance: jejum, carboidrato, low carb e mitos, Psicologia do esporte e tolerância ao desconforto na performance
Citações
- “Existe uma diferença enorme entre treinar e treinar com ciência.” — Gisele
- “Tem muita gente com potencial grande, não entregando o que pode entregar, porque vive treinando só pesado, né?” — Gerson Leite
- “os grandes não treinam assim porque os pequenos querem treinar assim.” — Gerson Leite
- “Não existe um campeão mundial low carb.” — Gerson Leite
- “performance não é só fazer mais.” — Gisele