Ep. 417 — #62 | Bem-estar não devia dar tanto trabalho, com Lary Nascimento | Girls Who Run
A gente transformou bem-estar em mais uma tarefa da lista. Virou rotina, virou produto, virou feed. E ninguém parou pra perguntar se isso ainda tem a ver com viver bem. Neste episódio do Girls Who Run, recebemos de volta Lary Nascimento (@larydonascimento) para falar sobre uma corrida diferente: a de tentar performar até no bem-estar, e como dá pra voltar pro simples sem culpa. Falamos sobre: • Wellness economy e a elitização do bem estar • Quando o bem-estar virou outro trabalho: rotina, ritual e a lista de tarefas do viver bem • Como não se comparar e a importância do auto conhecimento • A pressão feminina de parecer que está tudo bem, mesmo quando não está • Voltar pro simples: o que vale manter, o que dá pra soltar sem peso na consciência Um episódio pra quem está cansada de performar até o próprio bem-estar e só quer voltar a viver bem, sem precisar provar nada pra ninguém. 📲 Instagram: @girlswhorun.pod | Nossas Hosts: Ma Fanti @chefanti e Mari Real @ma.rianareal 👟 Convidada: Lary Nascimento (@larydonascimento) Podcast indicado no episódio, A nova era do Wellness (Summer Hunter) Patrocínio: All Out Run - cupom GIRLSWHORUN Patrocinio: Ticket Sports - A sua próxima linha de chegada você encontra aqui Estúdio: @estudioh.br | Produção: @stemmasports | Edição:Gabriel Barbosa #GirlsWhoRun #CorridaFeminina #MulheresQueCorrem #CorridaDeRua #Maratona #RunningPodcast #PodcastBrasileiro #Rotina #Wellness
Resumo
No episódio, Mariana Real e Marcela Fant recebem novamente Lary Nascimento para discutir como “wellness” (bem-estar) deixou de ser uma ideia simples — viver bem — e virou um pacote de regras, estética e consumo. A conversa parte da corrida e do ciclo de maratona como organizador de rotina, mas rapidamente amplia para um diagnóstico social: hipercomparação, autocobrança e uma pressão por performance que invade até os hobbies. Lary descreve a maratona como um processo transformador, que exige respeito à distância e disciplina, mas também pode ser leve quando o foco está em presença, propósito e prazer. As hosts conectam isso a um contexto maior de estímulos digitais e sensação de urgência permanente, que empurram as pessoas para uma vida em “checklist” infinito. Lary revisita sua experiênci
Destaques
- Ciclos de maratona podem funcionar como ferramenta de organização de vida: exigem disciplina, mas também trazem presença, estrutura e senso de propósito.
- A corrida (especialmente treinos longos) pode operar como “meditação ativa”, ajudando a reduzir ansiedade ao silenciar estímulos e reforçar conexão consigo.
- O ambiente esportivo atual tem um viés crescente de performance e validação social, que pode tornar o hobby tóxico (ex.: obsessão por pace, atalhos em provas).
- A ideia de “wellness” foi capturada por uma economia de consumo: produtos, suplementos e estética frequentemente substituem hábitos básicos e acessíveis.
- Bem-estar é multidimensional e inclui relações sociais, sono, alimentação, saúde mental e até organização financeira — não é só treino e suplemento.
- Representatividade e responsabilidade importam: vender rotinas caras e irreais amplia elitização do esporte e exclui quem tem menos tempo e renda.
- Autoconhecimento é o principal filtro contra comparação: entender o que funciona para você evita copiar regras invisíveis e reduz culpa.
Tópicos: Wellness vs bem-estar: indústria, consumo e estética, Pressão por performance no esporte e comparação nas redes, Maratona como disciplina, propósito e saúde mental, Elitização do esporte, classe social e representatividade racial, Vulnerabilidade, solidão e relações sociais como pilar de bem-estar
Citações
- “eu sinto que eu sou uma pessoa muito melhor quando eu tô num ciclo de maratona.” — Mariana Real
- “Ah, eu já não gosto dessa palavra, gente. Eu tenho muita preguiça.” — Lary Nascimento
- “você tá falando pras pessoas que o bem-estar que nem uma que ó, o bem-estar ele não é acessível.” — Lary Nascimento
- “Então, acho que no final do dia, eh, o convite aqui para vocês, gente, é lembrar que dá para o bem-estar ele é simplificado. É tipo, é você saber o que te faz bem.” — Mariana Real