Ep. 854 — #22 - Jorge Bernardo: Ciclista e Fundador da marca “De Preto pra Preto” | Na Roda do stemma
Nesse episódio @giselegasparotto recebe @jotabernard0: nascido no Capão Redondo, ciclista, profissional da área de tecnologia e criador do projeto @depretoprapreto.cc. Um episódio sobre pedal, identidade, pertencimento e sobre como o racismo e a branquitude atravessam até mesmo o esporte. Já aproveita e se inscreve no nosso canal do stemma no YouTube e siga no Spotify na roda do stemma (Links na Bio!)! Host: @giselegasparotto Edição: @acqua_xtreme Artes: @pedroc.jr Gravação: @estudioh.br #stemma #stemmasports #narodadostemma #ciclismo #bike #ciclista #giselegasparotto
Resumo
O episódio recebe Jorge Bernardo, nascido no Capão Redondo, ciclista e profissional de tecnologia, para uma conversa sobre pedal, identidade, pertencimento e como o racismo atravessa até um esporte visto como “elitizado”. Jorge conta como a bicicleta entrou na sua vida ainda na infância, com a primeira Caloy comprada com desconto e muita espera, e como o ciclismo voltou anos depois quando ele já estava inserido no mercado de tecnologia. A migração para São José dos Campos durante a pandemia aparece como um ponto de virada: ele encontra estrutura para treinar, passa a competir e se conecta com o lado mais “critérium/rachão” do esporte. A conversa contextualiza como o acesso a equipamento, tempo e redes sociais influencia quem consegue se manter e evoluir no ciclismo. A marca “De Preto pra
Destaques
- A marca “De Preto pra Preto” nasce de letramento racial + terapia: transformar raiva em um produto com mensagem e presença em um ambiente (ciclismo) percebido como elitizado e majoritariamente branco.
- No ciclismo, o racismo tende a ser velado: aparece em incômodo com a presença de uma pessoa preta com equipamento premium, em tutelas/correções não solicitadas e em reações competitivas para “recolocar” o outro no lugar.
- Representatividade não é estética: referências negras (ex.: Major Taylor) são apagadas, e a falta de visibilidade reduz pertencimento e horizonte de carreira esportiva para novas gerações.
- Branquitude deve ser entendida como benefício estrutural, e o combate ao racismo não pode ser delegado apenas às pessoas pretas; pessoas brancas precisam se ver como racializadas e agir para mudar o “normal”.
- Marcas e fornecedores têm receio de posicionamento racial: o relato de empresas que não enviaram orçamento mostra barreiras institucionais e a tendência de enquadrar iniciativas negras como “projeto social”, não como negócio premium.
- Para ampliar equidade no esporte, não basta “abrir o grupo”: é preciso atacar barreiras de acesso (tempo, dinheiro, equipamentos, patrocínio, redes) e também cultura (acolhimento, respeito, diversidade real).
- O recado aos jovens negros é buscar referências, ocupar espaços e recuperar ancestralidade para além da narrativa da escravidão, fortalecendo autoestima, identidade e persistência em ambientes hostis.
Tópicos: Racismo estrutural e branquitude no esporte, Ciclismo competitivo, pelotões e cultura do treinamento, Empreendedorismo e construção de marca (De Preto pra Preto), Patrocínio, marketing e barreiras institucionais, Representatividade e referências negras no ciclismo
Citações
- “Não basta não ser racista, é preciso ser antiracista, né?” — Jorge Bernardo
- “Eu costumo falar que a gente sempre celebra com Shimano Fest, porque eu lancei na Shimano Fest e venho celebrando os aniversários aí na Shimano Fest.” — Jorge Bernardo
- “O branco é a sua cor de pele. A branquitude é os benefícios que a sua cor de pele traz para você.” — Jorge Bernardo
- “Vocês que inventaram o racismo, né?” — Jorge Bernardo
- “Quando eu fiquei sabendo da faculdade pública, eu já tinha boleto para pagar.” — Jorge Bernardo